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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Sinais do tempo

Com o tempo aprendes que ter muitos amigos por vezes não é ter nenhum. 

Com o tempo aprendes que família por vezes não passa de laços de sangue.

Com o tempo percebes que não tens que falar muito, só tens que dizer as palavras certas no momento certo.

Com o tempo percebes que não podes contar em ninguém a não ser em ti.

Com o tempo ficas mais no teu silêncio e limitas-te a observar, reténs o que mais a ti se adequa. 

Com o tempo aprendes a desvalorizar tudo o que não te acrescenta. 

Com o tempo aprendes a dormir sozinho e a não ter medo do escuro.

Com o tempo aprendes que os sonhos só desaparecem quando deixas de acreditar.

Com o tempo aprendes a lidar com a ausência do afeto nos dias em que choras baixinho para ninguém te ouvir.

Com o tempo acreditas no amor mas não acreditas em contos de fadas.

Com o tempo reparas que já resististe a muito e nada te vai fazer parar. 

Com o tempo aprendes a amar, a amar muito.

A amar-te a ti!

Sinais do tempo.

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Foto de: Pexels.com

Atrás daquela porta

A porta fechou. 

Soou barulho metálico do trinco. Com aquele som ficou para trás a nossa história, um som que se dissipou em segundos, tal como os nossos sonhos.

Uma porta separava-nos. Voltámos as costas um ao outro. 

Era impossível esconder toda aquela tristeza que nos assolava, falhámos um com o outro, falhamo-nos. 

Olhava cada passo que dava, as malas baloiçavam na mão. A cada passo, mais distantes ficávamos. De coração desfeito, com uma saudade enorme dos tempos passados, seguia.

Não sabia como iria lidar com a tua ausência dali para a frente, sabia que não podia voltar para trás.

Corpo trémulo, respirava bem fundo para não chorar, estava carregado de adrenalina. Sentei-me no carro, sabia que tinha que seguir, pareceu que te esperava.

Não vieste. 

Foi mais uma das minhas muitas ilusões. Tinha que seguir, tinha que continuar mas não queria. Nunca antes te tivera abandonado. Foram longos anos de amor e esperanças. Desapareceram. 

Atrás daquela porta ficou a nossa última conversa como casal, a nossa última fotografia juntos, o nosso último abraço sentido, atrás daquela porta ficou parte de mim, em ti. 

Ao som daquele barulho metálico do trinco terminou a nossa luta, o resto da esperança, esperança essa que nos mantinha, as sobras de um longo amor cúmplice. 

Tivemos uma história, chegou ao fim. 

De um lado da porta ficou uma alma sonhadora.

No outro ficou alguém que sonha contigo.

 

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Foto de: pexels.com

Escrevo-te

Escrevo-te porque te nego mas sei que existes. Vi-te.

Escrevo-te porque a saudade tomou conta de mais uma noite. Parece não dar tréguas.

Escrevo-te mesmo parecendo ridículo, dado o tempo que passou desde que os nossos caminhos tomaram direções diferentes.

Escrevo-te na esperança que me leias, que sintas o que eu sinto através das linhas deste papel.

Escrevo-te porque ainda sinto o teu cheiro e faz-me arrepiar.

Escrevo-te porque ainda te pressinto, mas não te consigo tocar.

Escrevo-te porque espero por ti e tu não vens.

Escrevo-te porque estou a enlouquecer com estes sons do silêncio, porque me sinto diminuído nesta casa vazia. Escrevo-te porque te queria aqui, hoje, nesta noite de inverno ouvindo a chuva a cair no telhado.

Escrevo-te porque queria conversar contigo até ao amanhecer, tenho tanto para te contar.

Escrevo-te porque não consegui reprimir mais o que sinto.

Escrevo-te para te dizer que sejas feliz mesmo sem mim. Que encontres a tua tão desejada felicidade.

Escrevo-te porque ainda te amo.

 

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Foto de: Pixabay.com

Nasceste para brilhar

«Onde está essa luz ao fundo do túnel de que tanto falam?»

É a pergunta que te fazes de uma forma constante.

Parece ser tudo muito fácil aos olhos de quem está em teu redor. O corpo está pesado, carrega os passados que nunca irás conseguir mudar.

Tudo poderia ser diferente.

O sentimento de fracasso toma conta de ti enquanto a cidade dorme, toma conta do teu sono, enrolando-te vezes sem conta nesses lençóis frios de uma cama vazia.

Faz tempo que já perdoaste mas não te consegues perdoar, continuas agarrada(o) a esse estado emocional que só te puxa para baixo a cada dia que passa.

O teu corpo está poeirento e está na altura de o sacudires, de te limpares.

Ninguém consegue lutar por ti senão tu. És a prova da resiliência, já houve mais alturas da vida em que ninguém acreditava e tu conseguiste, ganhaste.

Não irá ser agora que vais deixar de brilhar.

Nasceste para isso.

Acredita, tudo se vai compor.

Sorri, tens um sorriso fantástico.

Respira, revitaliza-te.

Dança, canta, grita.

Vive e aprende a viver.

Não desistas de encontrar essa luz de que tanto falam.

Essa luz ao fundo do túnel, és tu!

Brilha.

 

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Foto de: Pedro Vieira

 

Quando fecho os olhos

Fecho os olhos.
Sem esperar sou transportado(a) no tempo. Confesso que não estava a contar.
Tento não pensar em ti, decidi isso numa conversa comigo há algum tempo.
Fechei os olhos e dançamos, o teu olhar penetrava no meu. Sorriamos como doidos.
Os nossos corpos estavam suados, ninguém entendia, só nós. O toque, não nos queríamos parar de tocar, a ânsia de nos termos era enorme. Estávamos presos num espaço físico mas a nossa alma dançava em volta do universo.
Eras só tu e o nosso amor, não existia mais ninguém. Desejávamos sair daquele local público para podermos dar asas ao nosso sentimento. Fechei os olhos e ouvi um «Amo-te» no meu ouvido, ainda o ouço toda a vez que faz silêncio.
Nunca pensamos que aquele amor, que aquela noite iria ter fim.
Mas teve.
A noite era desenhada para nós e nos éramos desenhados um para o outro.
Hoje tentámos ser um passado, a custo tentámos apagar memórias que em outrora nos fez sentir felizes e amados. São essas as memórias que não nos fazem acreditar que somos capazes de as viver novamente.
Não és tu, não sou eu.
Ninguém ocupará o nosso lugar, aquele amor.
Fecho os olhos e sinto-te, anseio-te como naquela noite, como se te visse pela primeira vez.
E tal como naquela noite em que dançamos sem querer o fim, sem o conseguir imaginar.
Segredo-te ao ouvido:
«Amo-te».
Espero que o ouças.
 
 

girl-1461362_1920.jpgFoto de: Pixabay

 

 

 

 
 

Hoje voamos juntos

Hoje esperei-te com uma flor.

Não esperavas que te desiludisse.

Hoje vi a felicidade no teu olhar.

Não o conseguiste disfarçar.

Hoje abracei-te com o coração.

Não o impediste e deste-me também o teu.

Hoje conversei contigo sobre o quanto te amo.

Não entendeste o significado mas beijaste-me vezes sem conta.

Hoje queria ficar ao teu lado e ver-te crescer.

Não tens autonomia para mudar estados de vida mas era o teu sonho.

Hoje o tempo passou num ápice contigo.

Não tiveste perceção dele.

Hoje custou-me distanciar de ti.

Não querias que isso acontecesse.

Hoje vou sonhar contigo.

Não o falas mas também o fazes.

Hoje voamos juntos.

Não tiveste medo, voaste comigo.

Haja muitos «Hojes».

Que o «Não» não nos impeça da nossa felicidade.

 

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Foto de: Pixabay.com

Aprendi o que era amor

Descobri o que era amor, no dia em que tentei seguir o meu caminho e foi-me difícil sem ti.

Descobri o que era amor, quando a saudade era tão inquietante que me fazia chorar vezes sem conta.

Descobri o que era amor, quando te evitava para não te perturbar, sofrias.

Descobri o que era amor, quando passava pelo carro semelhante ao teu e o coração quase que me saltava pela boca.

Descobri o que era amor, quando desejei todas as madrugadas que fosses feliz, por vezes mais do que eu.

Descobri o que era o amor tarde demais, só agora entendo o estranho sentimento que me assolava.

Resignava-o.

Comecei a aprender o que era o amor, quando deixei de ser correspondido.

Aprendi o que era amor, quando um dia partiste sem olhar para trás. 

Aprendi o que era amor no silêncio da tua ausência, eu sei, não deveria de ter aprendido assim.

Por entre a tristeza, surge uma estranha felicidade.

Sim, foi amor.

Agora sei o que é este sentimento.

Já sei o que é o amor, aprendi. Contigo.

 

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Foto de: Pixabay