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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Estive sempre aqui

Acordei, deparo-me com uma realidade nunca antes pensada.

A minha princesa está a deixar de ser bebé. Nunca me tinha preparado para este cenário.

5 anos, onde estive nestes 5 anos?

Onde estava nos teus primeiros passos a medo, nas tuas primeiras palavras em segredo?

Onde estava quando choravas por birra ou pela dor de uma queda?

Onde estava no dia em que te ensinaram as diferenças entre a verdade e a mentira, do certo e o errado?

Onde estava nas noites em que não dormias porque estavas doente?

Onde estava nos teus sorrisos de felicidade, nas tuas conquistas?

Estive sempre aqui.

Vivi durante estes 5 anos com um amor que me consegue transcender. Estive sempre aqui a lutar para diminuir estes longos quilómetros que nos separam.

Estive aqui a lutar por ti no meu​ silêncio. Estive sempre aqui contigo dentro de mim, porque eu, eu sou tu.

Chorei na noite por não te ter comigo, sorri em finais de tarde contigo enrolada no meu pescoço.

Onde estive estes 5 anos?

Estive a conquistar-te e tu a mim. Nunca desistimos e conseguimos.

De todas as palavras carinhosas que me dizes e que me fazem arrepiar, há uma que me faz levitar.

«Pai»

É assim que me chamas.

Cada vez que a pronuncias percebo que há muito para além da palavra, há um amor intenso que nos une, que nos faz lutar, que nos faz ser mais.

Dizes que me amas até ao sol e eu respondo-te que te amo até à lua.

E é na lua onde fico a ver-te dormir e sonhar.

Sonha filha, sonha muito porque eu sonho contigo desde o dia em que te conheci.

Dei-te a vida e tu devolveste-me a minha.

Amo-te muito.

Feliz aniversário meu amor.

 

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Despeço-me de ti

Hoje despeço-me de ti.

Despeço-me de tudo o que nos uniu.

Despeço-me daquelas memórias fantásticas que só eu guardei.

Despeço-me de todas as nossas conversas na escuridão da noite quando o mundo dormia.

Despeço-me dos teus sorrisos, custa-me despedir deles.

Despeço-me dos sonhos que tínhamos em conjunto que nunca chegamos a concluir.

Despeço-me do teu abraço há muito não sentido, ainda lhe sinto o calor.

Despeço-me da impotência de te ver partir sem nada conseguir fazer.

Despeço-me da nossa amizade cúmplice, dos carinhos perdidos no tempo, do amor que ficou reduzido a nada.

Despeço-me das palavras que ficaram por dizer por falta de coragem.

 Despeço-me de todas as vezes em que me anulei só para te ver feliz.

Despeço-me do sentimento que carrego dentro de mim.

Numa noite tão igual a outras onde éramos felizes.

Hoje despeço-me de ti. 

 

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A minha tela

Não sei onde começou, sei só onde está.

Impossível esconder um sentimento que me rasga o peito, esmiúça-me a alma e que me leva novamente para uma infância. Tudo era perfeito lá, hoje é perfeito.

Não sei qual é o teu segredo, não o quero descobrir. Prefiro viver hoje na minha ignorância, sem o medo, sem tudo o que me leva para trás.

Sinto-me patético, eufórico, tento a todo o custo manter ao nível de um adulto.

É difícil.

Apanhaste-me de surpresa, assustaste-me. Que susto tão agradável.

 

Permaneceste.

 

Não te importaste por estar sujo de tinta, ouviste a minha história e ficaste ao pé de mim. Sentaste-te ao meu lado e ficaste a admirar a minha tela.

Foi ao pintar a minha história naquela tela gigantesca e colorida contigo ao meu lado que percebi. Tinha uma cor que lhe estava em falta. A mais importante de todas.

A tua.

 

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Foto de: Ylanite Koppens 

Enquanto a cidade dorme

Chove.

Fumo o cigarro num peitoril húmido.

A cidade dorme. Observo-a.

Não sei o que faço aqui, não lhe pertenço. Fiquei aqui por amor, por ti.

Procuro uma alma pela janela, não encontro. Está tudo tão vazio e escuro como eu.

A garrafa volta a encher o copo de vinho. Estou sem rumo, sem saber o que fazer. A lareira acompanha-me, o caderno sempre próximo de mim, converso sozinho. Deixei tudo para trás, lutei por um sonho.

Um sonho que deixou de existir, tu.

Estou impaciente, sinto-me confuso, nunca previ isto. Ainda te amo mas nego.

Escrevo-te, apago, volto a escrever. Sinto que perdi o meu discernimento. Questiono-me vezes sem conta que rumo irei de dar à minha vida.

Tenho muitas saudades tuas, sei que também as tens. Também sofres no teu silêncio. Não o falas.

Choro.

Fica impossível de controlar o sentimento e enquanto isso a cidade olha-me em silêncio.

Tenho que descansar e não consigo, o corpo pede mas a mente não consegue parar. Não sei o que o futuro nos reserva mas é garantido que o passado foi fantástico.

 Amei-te, fui amado.

 Deito-me na cama que era partilhada por ti.

Está vazia.

Sinto a tua falta.

O dia vai nascer não tarda nada. Vou descansar nesta cidade a que não pertenço mas que me acolhe e já começa a ser parte de mim.

 

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 Foto de: Pixabay

Que nunca falte o toque, o beijo, as palavras

Os nossos caminhos seguiram para sítios diferentes e distantes.

Custa caminhar sem ti, sem te ter ao meu lado.

A muito custo acostumei-me, a muito custo.

As datas castigam, torna-se demasiado penoso viver isto acordado.

Fecho os olhos e espero que tudo passe.

Sinto-te, recordo-te, enquanto isso a saudade devasta-me.

Não merecíamos este fim, éramos mais, supostamente mais. Não acreditamos, não lutamos, não dos dedicamos.

Todo o amor resumido a memórias, à dor, solidão, lágrimas de um amor que parece não ter fim.

Hoje deveria ser o dia que deveríamos estar a celebrar o nosso amor, quis o destino que não.

Sozinhos, celebramos o amor de todos os apaixonados e acreditamos que não vão cometer os nossos erros.

Que nunca falte o toque, o beijo, as palavras. 

Sem amor ficámos incompletos. Fica a esperança que um dia voltaremos a viver aquilo que nos foi retirado. 

Até lá, sorrimos com a felicidade de quem nos rodeia.

Feliz dia dos namorados para todos os apaixonados e para ti, mesmo que distante.

 

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O último beijo

Não imaginava que aquele iria ser o nosso último beijo, o nosso último abraço.

Sempre pensei que irias voltar com o sorriso que te acompanhava sempre. Aguardava por ti todos os dias, a cada segundo que passava sentia um misto de saudade com angústia.

Não voltaste, largaste a minha mão e seguiste o teu caminho, deixei de fazer parte de ti.

Foi mesmo o fim.

O silêncio tomou conta de mim, por dentro gritava mas ninguém me conseguia ouvir, sentia o meu peito contras as costelas e uma dor que me corria até os ossos.

Não te consegui dizer nada mas esperava-te onde tudo começou.

Sim, eu fantasiava.

Iniciar ficar longe de ti foi doloroso, não queria acreditar que nos aconteceu a nós. Nós tínhamos tudo, supostamente tudo. Afinal não tivemos.

Se soubesse que iria ser o ultimo beijo, o último abraço fazia-o de uma maneira mais intensa e diria:

“Ainda te amo muito no meu silêncio, não vás.”

 

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Foto de: Katie Salerno 

Quem foi ele?

Foram noites de cumplicidade, momentos inesperados mas únicos que viveram só os dois, tantas vezes que ela abdicou da sua vida pessoal.
Acreditou que ele iria mudar, que iria lutar por ele, por ela, por ambos.
Quis acreditar que era com ele que iria ser feliz, sempre mantendo os pés na terra, era madura, já sofrera no passado e abriu novamente o seu coração. 
Amava-o tanto e subitamente deixou de fazer sentido na vida dele.
Deitou todo o amor fora como se de um lenço descartável se tratasse, não valorizou, não pensou no passado vivido, nos sorrisos cúmplices, nas trocas de mimos e beijos.

Foi como se nada tivesse existido!

Desligou-se imaturamente e egoístamente como se ela não tivesse qualquer tipo se sentimento e fosse uma qualquer. Ficou, apático, frio, sem sentimentos, fazendo-a sentir-se a pior mulher à face do planeta.
Ele tomou-lhe o pulso!
Noites sem dormir, lágrimas que teimavam em não parar e a cabeça sempre com a mesma pergunta:

«Porquê?»
Ela não se parava de massacrar, de se desvalorizar, de se culpar, de se humilhar.
Ficou a perceber que o amor em excesso também enjoa, a falta de amor-próprio não ajuda e foi dada como um bem adquirido.

O amor foi  puro e um pouco maternal e foi aí que falhou. Era inevitável não lhe responder para os encontros ocasionais, o desejo de estar com ele era maior. Era Amor.

Aos poucos foi entendendo uma coisa.
Tinha que ter amor-próprio!
Tinha tanto medo de o perder e já o tinha perdido.
Quanto mais fria e forte ela ficara, mais assustado ele estava.

O amor é mesmo estranho e ele também o era.

A duvida subsiste:

«Quem foi ele?»

 

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Foto de: Garon Piceli 

Naquele dia decidiste mudar a minha vida

Acordava de corpo pesado, nada a que não estivesse habituado.

Tomava o meu pequeno-almoço ensonado, li-a as notícias no telemóvel para ver o que tinha acontecido no mundo enquanto dormia.

Os meus passos eram lentos, tinha que carregar uma mente repleta de pensamentos estranhos.

Todos os dias eram iguais e acabava por não fazer nada para os mudar.

Estava desacreditado.

Na cama passava horas a olhar para o teto, questionava a minha existência.

«O que raio ando para aqui a fazer?»

Talvez fossem essas questões todas as noites que me estavam a baralhar. Sei que devia de viver mas sentia que não tinha forças para isso.

Sentia constantemente que estava a pagar por algo que não tinha feito. O mundo parecia conspirar contra mim.

Adormecia.

Acordava novamente pesado, tomava o meu pequeno almoço ensonado e continuava com os meus passos lentos.

Projetava novamente naquele teto o meu olhar, surgiam as mesmas perguntas.

«Porquê a mim?»

Sentia-me um caso perdido.

Um dia acordei e algo fora da minha rotina me aconteceu.

Conheci-te.

Não conseguia pensar em mais nada olhando para aquele teto senão tu.

Um dia acordei leve, sorri no meu pequeno-almoço com uma mensagem tua, só me apetecia correr para estar contigo.

Pós esse dia fiquei completamente apaixonado.

Era só mais um dia como entre outros tantos. Mas naquele dia decidiste mudar a minha vida.

 

Não quero abusar mas se passares no supermercado compra cereais para o pequeno-almoço deste apaixonado porque acabaram.

 

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Foto de: Joanna Malinowska

Parágrafo, uma nova história

É nas linhas deste papel em que eu vivo para ti todas as noites.

Não há uma única linha em que não sinta a saudade, a dor, um pouco de sentimento de raiva.

É nesta folha de papel que recordo tudo o que vivemos, o que poderíamos ter vivido, onde fraquejámos e o quanto fomos felizes ao lado um do outro.

De caneta na mão, suspiro vezes sem conta.

«Pensava que iria ser mais fácil este desapego.»

Talvez com a nossa história ajudemos a completar a dos restantes, uma história tão em comum como outras todas.
A nossa era especial.
Era a nossa.

Escrever o nosso desapego é estranho mas muito livre. Sem mascaras, sem pressões, apenas recordando o que foi bom, para o manter e o mau, para o aceitar.

Acho que é ao escrever que encontro a única forma de superar todo este turbilhão de sentimentos.
As razões que levam a isto para acontecer é que: 
Posso colocar um ponto final no fim. 
Viro a folha, dou um parágrafo e escrevo uma nova história.

 

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