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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Coração vazio

Mostravas o melhor que havia em ti.

Lutava para não me apegar, as minhas histórias deixaram marcas.

Insistias, eu berrava, mordia-me, implorava para que não o fizesses, não queria passar por tudo novamente. Fazias-me sentir vivo.

Quem eras tu?

Porque tinha que ser eu?

Os sentimentos voltavam, há tanto tempo que os reprimia. Por mais que quisesse acreditar não conseguia, acontece aos outros, a mim não, pensava eu.

Sou um deslocado(a), desacreditado(a), desorientado(a).

Temi muito e tu temeste tanto quanto eu.

Um dia, sorriste e partiste.

Custou-me muito ver-te partir.

Talvez tivesse aprendido mais uma lição na minha vida:

O que há mais a temer do que um coração vazio? Nada.

Não sei porque tive medo.

 

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Espero por ti a cada dia

Espero por ti.

Espero por ti todos os dias.

Espero por ti no meu telemóvel.

Espero por ti cada vez que saio de casa.

Espero por ti na porta do meu trabalho.

Espero por ti na porta do meu carro.

Olho para o telemóvel novamente e espero por ti.

Espero por ti no sítio do costume.

Espero por ti naquele pôr-do-sol por ti iluminado pelo luar.

Espero por ti a tremer de frio.

 Espero por ti a cada virar de esquina.

 Espero por ti na minha cama.

Deito-me.

Olho novamente para o telemóvel e espero por ti.

Não vens.

Amanhã espero por ti novamente.

Agora vou dormir.

Tem uma boa noite.

 

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Foto de: Joanna Malinowska

 

Fazes-me sorrir

Porque sorrio?

Sorrio porque te tenho na minha vida, porque és tu que me fazes ser mais.

É inevitável não sorrir por te ter perto de mim, por me fazeres sentir realizado, amado. Sorrio sempre que me lembro que lutei e tu, tu foste a minha recompensa.

Voltaria a fazer tudo novamente, cometia os mesmos erros só para te ter na minha vida.

És tu que me libertas a alma, é contigo que eu acredito, que alargo horizontes.

É no reflexo do teu olhar enamorado que vejo que eu sou tu. Amo-me a mim também nesse momento.

Um dia conto-te o quanto foste importante para mim e és. O quanto foste fundamental para as conquistas. Porque sem ti, sem ti eu não era nada.

Ainda me perguntas porque sorrio?

Porque és tu que me fazes sorrir e fico-te grato por isso, grato por existires, por existires na minha vida.

Tu és tudo para mim e eu não sou nada a encontrar palavras para descrever o que sinto por ti.

Amo-te.

 

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Foto de: Joanna Malinowska 

 

 

Que perdure o teu cheiro na minha pele

Decorei todas a linhas do teu rosto nos primeiros segundos em que te vi.

Sem saber de destinos, sonhava com elas todas as noites, faziam-me sorrir.

Sentia o coração a sair-me na boca cada vez que ouvia a tua voz, calma, serena, envergonhada.

Sentia o teu perfume em todo o lado, fechava os olhos e imaginava-te.

Eras perfeita.

O destino fez-nos ficar próximos, cúmplices.
Era tudo tão estranho mas tão bom.

Foi lento, intenso que acabei por perder-me em emoções, em ansiedades, em saudades.

Só te queria perto de mim, cada vez mais.

Aconteceu, o universo conspirou a nosso favor e sem que déssemos conta éramos um.

Todas a manhãs acordava com as linhas do teu rosto, todas a manhãs apaixonava-me novamente.

Quando a tua pele macia encostava na minha sentia que tudo era real.

Estavas ali, comigo, como sonhei desde o primeiro segundo em que te vi.

Era tudo demasiado perfeito.

O tempo foi passando sem darmos conta. Até que, até que nos esquecemos de nós.

Esquecemos-nos do que nos uniu, das nossas conversas, as nossas intimidades, os nossos passados.

Subitamente acordei um dia sem ver as linhas do teu rosto, no fundo estava uma parede branca vazia.

Nesse dia percebi que ainda tínhamos muito para dar um ao outro mas o egoísmo foi mais forte.

Nada se fez por nós.

O teu cheiro continua na minha pele e enquanto perdurar eu vou saber que não posso mais desistir dos sonhos.

Como desisti um dia de um, tu.

 

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 Foto: origem internet

Quero viver tudo novamente, mas não te quero mais.

Acredita, acredita que te quero todos os dias.

Quero que te encostes a mim, quero a tua mão junto da minha, quero que me sussurres no ouvido e que me faças arrepiar.

Quero para viver o que ficou por viver. Quero passear contigo e voltar a onde tudo começou.

Quero recordar contigo as nossas memórias, sorrir dos nossos momentos mais românticos e os inesperados.

Quero que me faças sentir especial, único(a) como só tu o sabias fazer.

Quero que te entregues, sem medos, sem passados, sem destinos, só tu, na tua plenitude.

Quero que me dês um beijo quente e aveludado. Quero que me abraces todas as noites, que me faças sentir protegido(a) e amado(a).

Quero que me faças envaidecer de tamanha felicidade.

Quero que sejas feliz, mesmo sem mim.

E foi assim que o fizeste.

Acredita, quero viver tudo novamente, mas não te quero mais.

 

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Foto de: Joanna Malinowska

A tua mão mudou tudo

Talvez não fosses o amor da minha vida, talvez fosses só uma passagem para me ensinar, para me marcar, para me acordar.

Tentaste-me ajudar, eu, "egoísta" nunca aceitei. 

Eram os meus traumas, não estavas incluída(o) neles. Os dias eram dolorosos, passava isso para ti sem o conseguir evitar.

Até que...

Até que não conseguiste aguentar mais e partiste, fiquei a ver-te partir.

Onde falhei mais uma vez?

Nos meus refúgios, no meu silêncio, na minha dor. Tinha pena de mim, tinha pena do que sofrera em passados, castigava-me. A mão que me quiseste dar e não aceitei, imaginei-a.

Por mim, por ti procurei ajuda.

Os dias tornaram-se lentos, confusos.

Tive a noção da realidade que nunca antes tivera. Fui enfrentando sem medo um a um, procurando respostas. Enfrentar a realidade, o que era, de onde vim.

Sozinho(a) caí. Sozinho(a) consegui-me erguer.

Por vezes não há respostas para as perguntas, por vezes temos que aceitar os passados e deixa-los sossegados.

Se tu não partisses eu nunca saberia, nunca os enfrentaria, nunca me recuperava, nunca me encontraria.

Na nossa passagem só fica uma coisa por dizer:

Obrigado pela mão que nunca aceitei, mas imaginei-a.

 

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Foto de: Joanna Malinowska

Supostamente és tudo

Não era suposto pensar em ti todas as noites, acordar com a ânsia de te falar, de saber como estás.

Não era suposto gostar de estar contigo, eu que tanto lutei para não deixar ninguém entrar na minha vida.

Não era suposto criar afinidade, cumplicidade, trocar carinhos.

Não, definitivamente que não era suposto encostar os meus lábios nos teus numa noite fria.

Não era suposto ter saudades tuas, contar o tempo para estar contigo novamente.

Não era suposto sentir-me triste por te ver partir.

Não era suposto entrares sem autorização, não era suposto chegares e absorveres os passados.

Não era suposto gostar de ti.

Mas gosto.

Supomos tudo e não sabemos nada.

 

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Foto de: Joanna Malinowska

 

Separados pelo tempo

Volto-me na cama vezes sem conta, aquele maldito relógio não para de contar o tempo.

Na minha mente surgiu que és passado, começas a ser um passado distante

Assusta-me.

A cada segundo que passa somos separados pelo tempo, mas, o nosso coração jamais irá ser separado.

Temos uma história, uma passagem, uma vivência.

Volto-me novamente, continuas a persistir na minha mente, será assim tão difícil encontrar o sossego?

É inevitável, a lágrima caiu.

Momentos de felicidade que irão ser apagados por esta distância, gargalhadas que serão esquecidas, toques que nunca mais existirão.

Sonhos que ficaram perdidos, levaste-os a todos contigo.

O relógio continua a digitar mais números, parece tudo tão lento e tão rápido.

Sufoco.

Fico desesperado nesta luta com a minha mente, não és a culpada(o).

Mas prometo-me, amanhã será o dia em que este maldito relógio vai começar a contar o tempo da minha felicidade e não da tua ausência.

Amanhã tudo irá acabar.

Agora sai da minha consciência para poder descansar.

Desliguei o relógio.

A saudade que tenho por ti assola-me.

Boa noite para ti, mesmo separado(a) por este tempo.

 

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Caminhos cruzados

"Onde estás?"

"Numa das portas."

 Longe de mim pensar que naquela encantadora estação de comboios estavas tu isolada com um brilho que te irradiava.

 Fervilhava por dentro mas tentava contornar toda a ansiedade que me assolava.

Em jeito desconcertante e atrapalhado dei-te dois beijos.

"Olá, como estás?"

Tentei mostrar um pouco da minha indiferença mesmo não fazendo parte mim. A conversa fluiu, o nervosismo era demasiado evidente de ambas as partes com conversas filtradas e selecionadas. Os tiques nervosos persistiam. Tornava-se horrível.

 O teu olhar era fantástico, muito segura de ti. Conversa madura e um saber estar a acompanhar.

Não fazia sentido, não era normal.

 Talvez a expectativa elevada fosse diminuída para não sofrer deceções. Mas não, tu não falhaste, tu não quiseste falhar.

O tempo passou, a cumplicidade começou a destacar-se com pezinhos de lã, sem pressas nem rodeios. O teu perfume espalhou-se pelas ruelas daquela cidade encantadora não conseguias passar despercebida.

Partilhámos histórias, intimidades, sorrisos e contivemos lágrimas. E tu, tu eras simplesmente perfeita, eu, fiquei chocado com tamanha perfeição.

A noite caiu, a luzes da cidade iluminavam as nossas caras num cenário romântico. Tu sorrias! Como ficavas linda com as luzes que iluminavam o teu rosto.

O toque foi inevitável, tínhamos que sentir a realidade, sim, passamos a ser reais.

 Chegou a hora, a despedida. A incerteza ficou a pairar.

Será que nos voltaríamos a ver?

Sim.

Os nossos caminhos cruzaram-se só porque sim.

 

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Amor culpado

Sim, sou culpado(a).

Culpo-me por te ter amado tanto até me esquecer de mim.

Culpo-me por ter desistido do meu mundo para viver o teu, o nosso.

Culpo-me pelas noites que te vi dormir, onde desejava que nunca fosses embora.

Culpo-me por ter criado expectativas, ilusões onde acreditava que era contigo que ia ficar.

Culpo-me por voar muito alto, por sonhar contigo quase todas as noites.

Culpo-me por todos os abraços sentidos que desejei que nunca me largassem.

Culpo-me pela ansiedade que tinha para estar contigo, para sentir o teu corpo, o teu carinho.

Culpo-me por te ver e ficar a tremer ansioso(a) por te beijar.

Culpo-me por te procurar quando me querias longe de ti.

Culpo-me por não ter feito mais, por não saber ficar com o pés no chão.

Culpo-me por ter acreditado quando devia era de ter desistido.

Culpo-me pela saudade, pela ausência, pelas lágrimas.

Culpo-me porque era ao teu lado que queria envelhecer.

Culpo-me por me teres culpado.

A culpa é do amor, não minha.

Odeio o amor, faz-me sentir culpado(a).

 

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Foto: Origem Internet

 

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