Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Dia Zero

Poderia ser mais uma manhã como todas as outras, uma manhã onde o desgaste de uma luta interior era evidente, onde o primeiro pensamento que tinha era se seria o dia anterior o fim da tortura, se terminara a solidão que lhe escurecia a alma.

Mas não, não era uma manhã como todas as outras.

Subitamente acordou de olhos arregalados, esboçou o seu sorriso há muito escondido e disse que já chegava. Passou muito tempo a viver com alguém dentro dele, a dificultar-lhe as tarefas básicas, a tapar-lhe os olhos, a carregar com um passado em dois sacos pretos bastante pesados.

Deixou-o a vaguear por caminhos áridos, ficou sem orientação mas subitamente viu uma flor a seus pés.

Iludiu-se por um amor que não existia, criou uma falsa ilusão.

Não a irá deixar de amar, talvez a vá amar a vida toda, não podia era permitir que o impedisse de seguir o seu caminho em busca dos seus sonhos.

Nessa manhã reparou que não era o borrão numa tela que ela tinha pintado e lhe entregou em mãos antes de partir. Chegou o dia onde foi comprar as suas cores favoritas e o redesenhou, redesenhou-se.

A história nunca se irá apagar, mas poderá ser modificada com as futuras vivências e com o tempo poderá ter um final feliz.

Ao pôr-do-sol lá estava ele a sorrir, era só dele agora e não tinha mais medo.

Naquela manhã foi o dia zero para reconquistar a sua felicidade.

 

26196950_10155290006112198_1113802115_n.jpg

 

A nossa utopia

Recebo o teu telefonema, faltam minutos para te voltar a ver novamente.Um nervoso miudinho toma conta de mim. Revejo-me ao espelho, o sorriso está estampado como sempre quando penso em ti.

Subitamente o teu carro encosta ao meu, estás da mesma forma do que eu, já não me sinto sozinho, afinal somos dois parvos apaixonados.

A brisa sopra no teu cabelo fino, tentas compor de uma forma elegante e tão tua.

«Estás perfeita.»

Os nossos olhos fixam-se de uma forma intensa, o sorriso intensifica-se. Estou estático a aguardar que chegues até mim, espero impacientemente que não demores porque tenho a pernas trémulas.

«Quem és tu? O que me fizeste? É tão bom mas sinto-me tão patético.»

Os teus lábios com batom vermelho estão a 10 centímetros, estou quase a implorar que toquem nos meus. “Desculpa a demora.”

Beijámos-nos intensamente, a minha mão percorre a tua cara. De olhos fechados sinto cada contorno do teu rosto, parece que foram desenhados pormenorizadamente.

«És tão deslumbrante.»

Acabamos enlaçados um no outro a ouvir o mar, a sentirmos os corações a bater de uma forma mais forte. É uma sensação tão reconfortante, tão intensa que não me apetece largar-te nunca.

O sol está a fugir no horizonte, admiramos o céu alaranjado, o cenário é lindíssimo o nosso amor é o protagonista. Sussurro-te no ouvido:

“Diz que me amas e prometo que te faço muito feliz.”

Voltas o pescoço para olhar para mim e sem hesitares proclamas sem medos.

“Amo-te, amo-te muito.”

Ouvi poesia.

Agarro a tua face com as minhas mãos e agradeço-te com um beijo suave na testa.

É a nossa utopia. 

 

25530237_10155268528517198_836141391_n.jpg

 

 

 

A dois passos do amor

Estávamos separados por um metro, pareciam quilómetros.

 Os teus cabelos reluziam ao sol, sentia o teu perfume. Os teus olhos brilhantes e tristes percorriam o meu corpo de cima a baixo.  

Não falavas, não me reconhecias, tinha deixado de ser encantador.

Já iam largos os dias que não me vias um sorriso, uma brincadeira, um carinho.

Precisava desesperadamente que me quebrasses o silêncio, mas não o dizia, sentia-me preso em mim. As minhas pupilas estavam dilatadas a olhar para ti.

 Continuavas linda mesmo com essa mágoa que te assombrava.

 As memórias preenchiam os nossos olhares vazios, deu-me arrepios. Não sei como chegamos até aquele ponto, não sei porque não consegui parar de me castigar, porque é que não me alertaste?

Estava a perder-te, tinha consciência disso e não consegui fazer nada para o contrariar. Eras tudo o que tinha, eras tu que me fazia feliz.

Não paravas de me observar, o teu olhar espezinhava-me o coração, o sentimento de culpa era enorme, sentia-me impotente.

Sorri para ti e tu muito ceticamente retribuis.

Respirei bem fundo e ganhei coragem para diminuir a distância que nos separava.

Eram só dois passos, segundos que pareceram horas para chegar perto de ti.

Umas palavras em tom trémulo e quase inaudível saíram finalmente da tua boca.

"Tenho medo de te perder!"

Sorri a medo, comecei a tremer, não contava com o encanto das tuas palavras.

Demorei uns segundos as responder, tentando evitar que as lágrimas saíssem dos meus olhos vidrados.

Consegui responder.

“Dás-me um abraço? “

Abraçaste-me apressadamente como se estivesses uma vida à espera por aquele momento, coincidentemente e em simultâneo utilizamos as mesmas palavras.

«Amo-te muito»

Estavámos perdidos em ressentimentos.

Perdoa-me por ainda te amar.

22196313_10155082607822198_400002421137262514_n.jp

 

Agasalha-te em mim

Está uma noite gélida, tento-me aquecer de todas as maneiras possíveis neste vazio dentro de quatro paredes. Fazes-me falta.

Esse amor que só tu sabias dar que foram substituídos por silêncios.

Tento contornar, tento não pensar em ti, num futuro que talvez nunca irá existir. Chamo-lhe: "a minha doce ilusão". Talvez seja isso que me faça lutar e querer mais.

Os dias de escuridão estão a ir embora, a auto-estima aparece para dar o ar de sua graça.

Voltei a sorrir.

Desejei que estivesses a meu lado neste processo tão lento mas tão gratificante.

Foi muito duro, talvez nunca vás imaginar o quanto doloroso foi. Nunca por tua culpa, os sonhos voaram muito alto e um dia caíram.

Junto com eles fui eu.

Caíram num oceano, mergulhei bem fundo, fiquei imerso numa escuridão. Lutei com todas as minhas forças para voltar a respirar. Quase esgotado, nunca desisti, não quis desistir de mim e consegui.

Finalmente respiro, finalmente.

Sinto orgulho em mim, sei que não o tens. O teu amor foi substituído por um ódio incompreensível.

Talvez tenhas razão, ou não.

Perdoa-te, porque já me perdoei no dia em que assumi que errei.

Vou tentar aquecer-me lembrando o calor do teu aconchego, agasalha-te.

 

24726476_10155231681437198_686316768_n.jpg

Foto: Origem Internet