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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Ritmos dourados

Vamos dançar debaixo das folhas douradas, respirar a humidade do Outono.

Vamos sentir o nosso calor corporal, baloiçando entre sorrisos e gargalhadas de passos dessincronizados.

Vamos sentir o ritmo e sair dos nossos corpos ao som da música, vamos flutuar a dançar por caminhos lamacentos como se tivéssemos sozinhos no mundo.

Vamos vibrar quando chegar aquela música que nos transporta para um tempo, um lugar, uma felicidade.

Sentir o teu coração a bater no meu, sentir o teu pescoço transpirado mas mesmo assim pedindo para não parar.

É o nosso mundo e ninguém o vai roubar.

Vamos ficar longe dos olhares críticos, quero ver as tuas curvas perfeitas a rodopiar de uma forma sensual e discreta. Vais-me seduzir com o olhar, vais puxar por mim e encostar-me porque sou teu, vais querer sentir-te segura e dominada, não vais querer tenha fim.
O mundo deixará de existir e cada música parecerá dedicada ao nosso estado de espirito, liberdade.

Quero dançar até à exaustão, quero que cada música seja recordada contigo, a intensidade, aquela dança que ninguém nos irá roubar da nossa memória nos próximos anos.

Fecha os olhos e deixa-te entrar num universo de melodias, toques, sedução, transpiração, leveza e revitalização.

Não interessa o local, a hora, basta a tua companhia.

Aceitas a minha mão para dançar?

Já entrei no ritmo, não te atrases.

 

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Foto de: Sara S. 

Ao virar da página

No silêncio da noite recordo todas as vezes que me olhavas com aquele olhar brilhante onde refletia a tua alma, nesse olhar dava para ver o quanto me amavas e o quanto odiavas.

Não que a culpa fosse inteiramente minha, infelicidades que a vida me brindou em tempos passados.

Recordo com saudade as noites em que passei ver-te dormir, parecias um anjo, o corpo delicado em posições contorcidas.

Os meus dedos percorriam o teu cabelo, os meus lábios beijavam a tua face, acordavas e proclamavas as palavras:

“Gosto tanto de ti!”

O meu corpo tremia, a cada abraço durante a madrugada sentia-me único e não merecedor, sempre tive uma postura de derrotado, pensei que as histórias românticas só aconteciam aos outros.

Ficava enamorado, envaidecido que se convertia em tristeza, tristeza essa porque não merecias estar a passar tudo aquilo.

Era uma luta que estava a travar e tu estavas no meio a tentar defender-me. Não te dava ouvidos, entrei num mundo onde me castigava dia pós dia, entrando numa espiral de sentimentos confusos e diabólicos.

Foste até ao teu limite e eu com coração apertado fiquei a ver-te partir, senti-me impotente mas não podias estar mais a ser castigada por minha causa. Por mais infeliz e vazio que esteja, sei que fui feliz. Olho para cada canto, para cada sombra e ainda te vejo, acreditando no destino, acreditando que um dia nos poderá voltar a cruzar.

Enclausurei-me numa bolha, tento trabalhar-me, respeito-me, dedico-me. Encontrei-me no meu silêncio dos meus dias, fui fechando cicatrizes do passado, conheci-me.

Agora que tenho mais discernimento posso te dizer:

Amei-te muito e tentei esconder isso, tentei mentir-me e iludir-me mas nunca consegui fugir ao que sentia por ti.

Agora respiro fundo, aceito os meus erros, sinto-me capaz, objetivado e estruturado, mas está na hora de encontrar o meu coração em outrora perdido.

Agradeço-te por me tentares alertar dos meus erros, não foram em vão. Foi nessa pequena ponta solta que peguei e estou a trabalhar, nota-se no meu corpo o desgaste do meu cérebro, é apenas um corpo magro mas rochunchudo de amor no seu interior.

Foi preciso te perder para me converter num homem, fui demasiado tarde para ti mas ainda cheguei a tempo para me reconquistar.

Orgulha-te, são as tuas palavras que me transformaram e eu não vou parar enquanto não for feliz.

Passo dias a ver o mar, mergulho na nossa história, nos sentimentos perdidos, desperto o meu ser adormecido.

O meu coração irá ficar sempre permanentemente ligado ao teu, tivemos uma história, uma vivência, fomos cumplices.
Se pudesse ter lido o futuro aumentaria só a intensidade do abraço e do beijo.

Quanto ao resto, o resto foi destino.

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Foto de: Sara S.

Completo em ti

Quando olho para ti, sinto que te estou a olhar pela primeira vez, apaixono-me sempre.

Mas tenho que te confessar:

Tenho saudades daquela euforia, daquela loucura, daquele viver sem limites, daquele amor inocente que tínhamos no passado.

Tenho saudades de olhar para ti de canto a admirar-te a arranjares o cabelo, tentavas ser perfeita aos meus olhos. Noites sem dormir a pensar nas linhas do teu rosto, decorei nos primeiros segundos em que te vi.

Os olhares a medo e tímidos, sempre respeitando o conforto um do outro, sabias o quanto me fascinavas e provocavas ainda mais.

Adorava!

Por vezes, lá ficavas sem jeito e eu reparava nisso, fingia que não, mas eras encantadora na mesma. As palavras que trocámos sorrateiramente para não sermos demasiado evidentes, era inevitável fingir o quanto gostávamos da presença um do outro. Os primeiros encontros às escondidas, estávamos carregados de adrenalina, tínhamos o coração aos pulos. Brincadeiras parvas só para te ver às gargalhadas, tentava desesperadamente ser único porque tu eras única para mim, ainda o continuas a ser.

A ansiedade que tomava conta de nós quando tínhamos que nos abandonar, ainda a sinto só de imaginar o teu aceno no carro a arrancar, era a parte mais triste do meu dia. Dias esses que eram demasiado curtos quando estávamos juntos, não achas?

As mensagens trocadas até um de nós adormecer, parecia que tínhamos medo que não houvesse o amanhã.

Tenho saudades das tardes que passávamos dentro do carro a ver o mar, sempre que os nossos olhares se cruzavam compunhas novamente o cabelo e piscavas-mos o olho, estávamos a viver um sonho.

Pensei que esses momentos se fossem prolongar, que seriam eternos.

Hoje ainda sonho com o teu rosto, sei onde fica cada ruga tua e adoro-as.

O teu corpo não é o mesmo, já se notam os sinais do tempo mas não lhe vejo diferenças. Ainda vejo aquela silhueta delicada, apesar de tu achares sempre o contrário, cada estria é uma história e tens um livro muito romântico e continua a ser o meu favorito.

Quero-me apaixonar e reviver tudo nem que seja mais um dia, ainda nos podemos surpreender. O amor que temos um pelo outro é fantástico mas é aborrecido. Acho que nos esquecemos de nós no meio de tantas rotinas, tantos problemas, tanto cansaço para podermos sobreviver.

Peço-te, tira um dia para voltarmos a ser inocentes, vamos nos encher de adrenalina, vamos correr, dançar, sorrir como duas crianças, já merecemos voltar a respirar e sentirmo-nos vivos novamente.

Quero voltar a viver vezes sem conta os nossos momentos como pela primeira vez.

Na próxima vez que me vires podes compor o cabelo e piscar-me o olho?

Vou-me derreter todo!

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Foto de: Sara S.

Corrida ao passado

Final de tarde de um dia magnífico, fazia a sua corrida diária como era habitual. Foi o refúgio que encontrou para se poder libertar de todo o stress acumulado ao longo do dia.

Ao longe lá estavam dois vultos abraçados contemplando o pôr-do -sol, ao passar por eles o seu corpo gelou.

Ali estava ele, era improvável acontecer.

O sorriso dele estava encantador, enamorado e olhar brilhante e a companhia simplesmente correspondia. Ficou sem saber como reagir, as emoções tomaram conta do corpo, o aperto no peito, as sensações na barriga que quase a faziam vomitar, as tremuras que a desconcertavam, o cérebro completamente dormente de ver tal cenário.

Aguentou e tentou fazer o sprint mais rápido e mais longo da sua vida até ao carro.

Abriu a porta do carro sufocante e o mundo desabou!

Entre suor e lágrimas ficou completamente descomposta…

Só pensava que era ela que devia de estar a ocupar aquele lugar, era ela que deveria de estar a contemplar aquele por de sol, era ela que deveria de estar naquele abraço mas não, ela já fazia parte de um passado esquecido por ele.

Pensava o quanto foi bom tê-lo visto sorrir, ela já tinha saudades daquele lado amoroso dele, dado que as ultimas lembranças eram de discussões e lados maus.

(Sorriu)

Foi aí que entendeu o quanto o amava, vê-lo sorrir e feliz também a fazia feliz apesar da estranheza de ver alguém no seu lugar.

Recompôs-se no retrovisor do carro e com a mão redireccionou novamente para eles e voltou a sorrir.

“Sê feliz!”

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 Foto de: Sara S.

Espuma de medos

Estou no meu duche quentinho a enxaguar a cabeça do champô e por alguma reacção química o meu subconsciente despertou.

Num ápice voltaram à minha memória todos os defeitos que me apontaste antes de partires, passaram todos à velocidade da luz.

Baixei os braços e deixei cair a água sobe a minha cabeça, percorrendo a minha face, fiquei a meditar com aquelas palavras na minha mente alguns segundos, como uma cascata humana.

Com o olhar nos meu pés completamente desfocado comecei a acenar com a cabeça.

Sim, tens razão, eu fui um parvalhão.

Não fui parvalhão por o ser, tinha medo de te amar muito e que subitamente abdicasses de mim e que esquecesses o que era, o que éramos, o que fomos, o que poderíamos ser. Era difícil para mim dizer o quanto gostava de ti, sentia-me exposto, vulnerável, senti que fui perdendo toda a credibilidade, toda a expectativa que depositaste perdeu-se.

Por mais que me tentasse libertar, soltar a arte de amar, soltar os meus sentimentos puros, como realmente o merecias, não!

Não conseguia!

Sentia que não estávamos de mãos dadas, senti que não estávamos a ser pacientes, precipitamos futuros quando ainda estávamos dominados por traumas de passados, esses sim os grandes culpados. Não soubemos lidar com os nossos medos e afastamo-nos.

Ficámos para segundo plano, não nos soubemos amar, não soubemos ser amados.

Ganhámos uma posição de falhados na corrida do amor, era esse o nosso sentimento, começou a ser demasiado penoso.

Podias só começar por me perguntar: “O que te origina o silêncio?”

Rapidamente te iria responder: “O medo de não te saber amar.”

A água começou a ficar fria, as memórias voltaram para o seu lugar.

Sim, tens razão, fui um parvalhão. Aprendi e não o volto a ser mais.

Maldito champô, tenho que o trocar.

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 Foto de: Sara S.

 

Suave desassossego

Os teus dedos percorrem o meu cabelo, sinto arrepios no meu corpo.

Ouço o bater do teu coração deitado no teu peito, a tua pulsação parece uma melodia no meu ouvido. Respiras suavemente e por vezes suspiras bem fundo.

Estás a sentir o mesmo do que eu?

Toco na tua pele, percorro-a com a ponta dos meus dedos, fui eu que te arrepiei agora, sinto os teus pêlos macios e frágeis levantados.

O teu coração começou a bater mais rápido, continuas distraída a olhar para o céu e ver as nuvens formarem desenhos mas saborear o toque. Estás a suspirar mais fundo e mais vezes, estás a entrar numa ansiedade. Desviaste o olhar do céu, levantaste-te ligeiramente, estás-me a olhar nos olhos, consigo ver as tuas pupilas a dilatarem.

Estás a baixar a cabeça e beijaste-me a testa.

Sorrio.

“Também te adoro muito.”

Sorris.

 

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 Foto de: Sara S.

Aconchego em mim

Deitado no meu sofá ouço a chuva a cair no meu telhado, sou transportado no tempo.

Levou-me para as noites enroscados na manta, saboreando o copo de vinho, acompanhado com as nossas conversas tranquilas e serenas. Conversas cúmplices onde mostrávamos mais um bocadinho do que éramos sem o medo, sem a máscara, eras só duas almas a conversar.

Enroscados na manta estávamos protegidos do negativismo do mundo, criávamos um espaço só nosso, muito próprio, caloroso, apaixonante e com identidade. Por vezes entravamos em silêncio profundo a olhar para a lareira, tentávamos descobrir o que iria no pensamento um do outro através do olhar profundo, cristalino e distante.

Aquele silêncio terminava com uma palavra que preenche qualquer coração apaixonado.

“Amo-te”

A minha manta, o meu sofá continuam à tua espera, eu já tenho um bom tema de conversa.

Traz só o vinho. Não te demores!

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 Foto de: Sara S.

Devaneios do coração

Ligaste-me a pedir para te ir buscar rapidamente a casa.

O meu coração começou a bater a uma velocidade vertiginosa, o sangue quase que me rebentava as veias. Não me disseste o que se passava o que ainda me tornou mais louco, pintei um quadro horrível e medonho nos meus pensamentos Larguei tudo, fui o mais rápido que consegui.

Cheguei à tua porta com o meu carro a fumegar e saíste a correr e a saltitar com uns sorrisos nos lábios. Abriste a porta do meu carro, abraçaste-me, apertaste a minha face com as tuas mãos macias e deste-me um longo beijo e quando o terminaste quase sem fôlego pediste-me:

“Vamos ver o pôr-do-sol?’’

Eu não sabia como reagir, mas se por momentos me apeteceu apertar esse teu pescoço fino e frágil fui contrariado em te agarrar e te beijar loucamente.

“És tão doida!”

Respirava profundamente com aquela adrenalina que tinha tomado conta do meu corpo naqueles longos e intermináveis minutos. Abraçados ficamos a ver o pôr-do-sol como o desejaste, ali naquele rochedo completamente apaixonados. Minutos que foram tão longos, tão delicados, no silêncio que tranquilizava a nossa mente onde caminhávamos de mãos dadas. Acordados, fantasiamos com futuros ao lado um do outro até ao final dos nossos dias. Foi mágico e perfeito, respirávamos liberdade.

Mas mesmo assim se me voltas a fazer o mesmo aperto-te o pescoço, ou não, porque adoro.

Continuo a dizer, és doida!

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Foto de: Sara S.

http://fotografiasaras.blogspot.pt/

A voz que veste o silêncio

Sei que não sou muito de exprimir o sentimento que sinto por ti quando estás ao meu lado, mas vou tentar com que entres dentro de mim e me sintas.

Mas tenta!

Tenta imaginar uma criança a pular de alegria em cima de uma cama de pijama antes de ir dormir, é o que sinto quando te vejo a aproximar de mim.

Tenta Imaginar um cobertor aveludado e quentinho encostado na tua pele numa noite de inverno perto de uma lareira, é o que sinto quando me abraças.

Tenta imaginar o toque delicado e macio de uma flor a percorrer os teus lábios, é o que sinto quando me dás um beijo.

Quando me olhas nos olhos não consigo arranjar descrição porque me percorres desde o coração à alma. O cheiro teu perfume faz-me despertar diversos sentidos e fico êxtase.

Deixa-me agarrar o teu braço, apertar a tua mão, deixa-me te agradecer por entrares na minha vida e nela permaneceres. A energia das palavras​ que não te digo aplico-as em carinhos, sorrisos, aconchegos, proteção, amizade e sobretudo na cumplicidade, sempre na esperança​ que as ouças.

Deixa-me te amar como realmente mereces mas perdoa-me por não me saber exprimir quando estou contigo.

Só te quero a ti, sentes isso?

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Foto de: Sara S.

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O adeus do outro lado da janela

Já não te vejo faz meses, a saudade dentro do meu peito é tão apertada que esmaga o meu coração contra as minhas costelas, é quase difícil respirar. Já não sei o que é falar contigo, o teu “bom dia” que me dava aquela energia logo pela manhã e me fazia sorrir o dia todo como se fosse uma poção mágica, deixou de existir.
A minha persiana continua para baixo só entra o mínimo de claridade por entre os furinhos. Continuo na minha posição estática, com o olhar fixado no meu teto branco onde vão passando as imagens da nossa história e o telemóvel no meu peito como se tivesse a aguardar uma notícia tua.
Optamos por um caminho diferente e agora aguardamos o destino.
Cada vez que me confronto com a realidade, inconscientemente uma lágrima teima em cair e contornar o meu rosto magro e delicado, borrando o meu rímel.
É difícil a luta entre o amor que sinto e a minha racionalidade.
O tempo teima em passar lentamente. É controverso, as nossas conversas de horas passavam em minutos, os dias agora parecem não terminar e juntos só piscávamos os olhos e era de noite. As noites, as noites são um inferno onde o ciúme é projetado na escuridão da minha alma.

Não havia mais nada a fazer por nós, estávamos condenados desde o início.

Mas perdoa-me, não posso viver mais a tua ilusão por mais doce que seja, gostava de a viver eternamente porque da maneira que a imagino é tão perfeita e doce, mas não é física. Não sinto o teu toque, não sinto o teu coração a encostar no meu na intensidade do abraço.

Nunca vou conseguir mudar o nosso passado, mas sei que posso e quero ter sentimentos reais.

Não irei procurar mais respostas, sei que me está a esgotar, estou a entrar numa espiral de sentimentos onde me estou a emaranhar.

Já chega, não é isto que eu quero.
Abri a minha persiana, reparei que está um dia lindíssimo lá fora, o meu corpo sorriu só de poder respirar o cheirinho das flores.

Levaste-me a inocência, mas não te deixei que me levasses a esperança.

 

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Foto de: Sara S.

Modelo: M. Gusman

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